14 de fevereiro de 2013

Que seremos nós além de míseras formigas aparentemente frágeis? Todos se limitam a seguir o carreiro temendo a contra-mão: em fila, sempre em frente. Que acontecerá à formiga que, corajosamente, muda de rumo? Ou, mudando de prisma, que acontece às diminutas formigas nas mãos dos Homens? Triste o seu destino de serem sempre pisadas... Então e o povo, pá? Essas formigas não serão todo um povo sofrido e sofredor? "Povo que quer dinheiro p'ra comprar um carro novo, pá!"

Elisa

13 de fevereiro de 2013

Após um ano: "Rumo ao Sul"



"Volt[ava] as costas às luzes brilhantes da cidade-mãe" num inevitável "Rumo ao Sul": terra minha, ora barro que se une com o azul do mar, ora xisto que se une com o azul do céu. (Virá o Sol por acréscimo?)...

...em jeito de agradecimento, que o tempo não deixou fazer, pelo lindo momento passado, com quem se confirmou ser uma criança grande: obrigada por tudo!

Elisa

5 de novembro de 2012

...

A criança que fui chora na estrada. 
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

Fernando Pessoa
...porque hoje sinto assim...

5 de outubro de 2012

Do Pulo do Lobo

(Foto minha: Setembro de 2012)
Irmã das areias que o tempo guardou na terra onde dorme o calor
Destino de moura que o sol coroou e dizem que foi por amor
Se o pulo do lobo te leva pró sul desertos de cobre a ferver
Mértola ai que tens tanto p´ra dizer

Sebastião Antunes (Quadrilha), "Mértola"


Reza a lenda que este é o lugar onde morreu o lobo-homem que pulava o Guadiana à procura do Amor...

Penso: Existem sítios onde a Natureza ainda se pode beber... e inspirar.
Não mais esquecerei os "desertos de cobre a ferver" onde o Guadiana estreita ao tamanho de um pulo e onde é incrível a facilidade com que o som da queda de água fica cá dentro marcado!

Estrela d'Alva

4 de setembro de 2012

Das asas

Ah, quanta vez, na hora suave
Em que me esqueço,
Vejo passar um voo de ave
E me entristeço!

Porque é ligeiro, leve, certo
No ar de amavio?
Porque vai sob o céu aberto
Sem um desvio?

Porque ter asas simboliza
A liberdade
Que a vida nega e a alma precisa?
Sei que me invade

Um horror de me ter que cobre
Como uma cheia
Meu coração, e entorna sobre
Minha alma alheia

Um desejo, não de ser ave,
Mas de poder
Ter não sei quê do voo suave
Dentro em meu ser.

Fernando Pessoa
5-8-1921